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exames do 4º ano

por Sofia Sequeira, em 05.05.13

Está a haver tanta discussão e tanta polémica acerca dos exames de 4º ano que eu não percebo. Eu sou aluna de 12º ano e lembro-me que na altura cheguei a fazer uma Prova de Aferição (que era quase a mesma coisa destes exames de agora) e não foi por isso que me tornei uma criança nervosa ou que os meus pais desataram a fazer protestos porque "Ai, coitadinha, a menina não pode ser avaliada que isso causa medo". Por amor de Deus! É uma avaliação como outra qualquer...

Depois, li no DN (se não estou em erro), que as professoras queriam fazer os putos assinar um papel de "honra" em como não possuiam com eles telemóveis e afins; desligados ou ligados. É só na minha cabeça ou crianças de 9/10 anos não têm idade, sequer, para andar com telemóveis? Ainda por cima, melhores que o meu? Não há necessidade de andarem com telemóveis se a escola tem uma secretaria ou um ATL para onde ligar em casos excepcionais, para saber se está tudo bem (tal como os pais da minha geração faziam). Acho uma parvoíce todo este assunto.

 

Notícia polémica sobre este assunto, AQUI.

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publicado às 11:45

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5 comentários

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De Joana a 05.05.2013 às 19:17

eu fiz também provas de aferição e não morri, e acho muito bem que sejam feitas. Não é por isso que a criança vai sofrer horrores, por amor de deus.
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De blackened a 06.05.2013 às 17:02

A prova de aferição que fizeste, muito provavelmente, não teve peso na nota final. Eu própria estou no 12º, e a primeira prova de aferição que fiz foi no 6º ano (e só mais tarde, é que se começou a ouvir falar da reintrodução das provas no 1º ciclo), que não teve sequer impacto na minha nota final, o que aconteceu em todo o país. Estes exames de 4º ano contarão 25% para a nota final do aluno e para o ano passará a 30%, ou seja, situação idêntica à do 12º ano. Portanto, acho que não deves comparar, pois tu tens 17/18 anos e aqueles desgraçados são crianças a sair da escola primária.
Os alunos serão obrigados a deslocarem-se para as sedes dos agrupamentos (nervosismo), terão que passar pelo ritual todo que nós passamos quando fazemos exames, quando se tratam de crianças (mais nervosismo), terão que assinar um documento de responsabilidade (mais nervosismo), terão de ser vigiados por pessoas desconhecidas, num ambiente desconhecido e impessoal (ainda mais nervosismo). Tendo em conta que são crianças de 9/10 anos, concordo que seja uma pressão desnecessária. São crianças que desconhecem totalmente o funcionamento delas próprias em situações de pressão, porque, bem, até agora só estiveram no ensino primário e muito facilmente podem esbarrar-se no exame. Para ajudá-las, ainda está o facto de que a nota de um ano inteiro de trabalho pode ser influenciada por um dia de nervosismo.
O que é que isto tudo implica? Paragem das aulas para os alunos que frequentam as escolas onde decorrerão os exames. Gastos do Estado. Incentivo a uma memorização massiva de matéria, que, como sabemos, é o caminho mais usado pelos alunos para a não compreensão dos conteúdos, logo, para não haver esforço, estudo, trabalho. Boa memorização não faz da pessoa mais inteligente, nem sequer mais preparada para o mundo real. Aliás, é esse o método incentivado pelo nosso sistema de ensino: decorar e descarregar nos testes. Tive uma professora de Filosofia no ano passado que preferia ler o manual nas aulas, não queria perder tempo a debater e a intensificar o interesse dos conteúdos, para depois na véspera dos testes dizer os exactos parágrafos que saiam. "Estudem!", dizia ela, que é como quem diz "Decorem e desenrasquem-se!". Isto era a postura de uma professora com o programa da disciplina atrasado. E esta é a postura de muitos professores, cuja disciplina termina com exame no final do ano e são obrigados a acelerar o passo para que tenham o trabalhinho todo feito até lá. No fim de contas, estão professores e alunos stressados, e estes em vez de aprenderem, estão mais interessados em somente passar ou então a tirar ganda nota na pauta, como se tal nota reflectisse a sua inteligência.
Para que vão servir estes exames de 4º ano se não para mostrar resultados à união europeia, a dizer que a nossa taxa de analfabetos está cada vez mais baixa, quando na verdade, o que se faz é desistir daqueles que precisam de mais tempo, mais incentivo e outros métodos de ensino, é gastar desnecessariamente dinheiro e recursos do estado, é incentivar, não um gosto pela aprendizagem nos alunos, mas sim uma ideia de anti-escola, de que a escola é um lugar horrível para se estar? Para que servem estes exames de 4º ano se não para elitizar o ensino público? Para que servem estes exames se não para corresponderem à politica conversavora e totalitária de direita do nosso governo? Estas práticas são do tempo do Estado Novo! É isso que queremos, que os nossos futuros doutores e engenheiros tenham uma mente oca e livre de pensamento crítico? Tenho um colega com melhores notas a Matemática que eu, que embirra comigo porque gostar de chegar aos "porquês" e aos "comos". Uma vez, disse-me que a Matemática não se explicava. Presumi que o estudo dele fosse completamente oco e que nunca se perguntasse onde se insere na vida real aquilo que estuda.
E essa fonte em que te baseaste não é a melhor para se criar uma opinião acerca do assunto - informação restrita e pouco clara. Apesar de ainda não ter encontrado um artigo excelente e super correcto acerca do assunto, acho que te seria mais útil o artigo do jornal Expresso online. E desculpa parecer chata, mas não pude deixar de me expressar. Afinal, é esse o objectivo, certo?
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De * wild * a 06.05.2013 às 17:23

concordo totalmente contigo! eu no 4ano não tive " exames " nem nada disso, mas que drama! Eu também ando no 12ºano e tive de assinar esse papel de não levar os telemoveis para os exames, mehh que exageroooooooooo ! se tiver desligado, qual é o problema ?
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De blackened a 06.05.2013 às 20:45

Claro, eu também gosto que as pessoas se expressem sem rodeios, daí de volta em volta, estar por cá, pelos teus lados. :)
Sim, claro, temos de saber lidar com a pressão, mas tudo tem de ter o seu termo. Acho que estão a pressionar os alunos desnecessariamente, o rigor e a exigência deviam de aumentar progressivamente e o que se vê no nosso ensino são picos de rigor e exigência nos finais dos anos lectivos. Existe uma grande discrepância entre os vários ciclos de ensino (dou o exemplo da falta de rigor do ensino básico, que só se nota quando se está no secundário), sendo que opção mais fácil é fazer uma triagem com exames de grande peso na nota final, não se apostando na real aprendizagem e que esta chegue ao número máximo de alunos. O ensino obrigatório prolongou-se até ao 12º ano, o que seria bom se o sistema de ensino fosse melhorado, de tal forma que os alunos sentissem mesmo necessidade e interesse em chegar ao 12º ano e, inclusive, prosseguir para o ensino superior. Em vez disso, vejo desmotivação. Há pouco tempo tive uma conversa com uma professora universitária e ela bem se queixava da desmotivação e do desinteresse generalizados. E eu falo por mim, quanto mais pressão, menos motivada me sinto, menos aberta estou para assimilar como deve ser as matérias que me são apresentadas nas variadas disciplinas. Eu, que adoro tanto Filosofia, vi-me a tirar notas com 3/4 valores abaixo da minha média da disciplina, simplesmente porque a professora estava a arruinar tudo com o método de ensino dela. Acabou por "oferecer" a nota a alunos que se recusavam a pensar filosoficamente e que tão satisfeitos ficaram por terem a papinha toda a feita, e acabou por fazer bons alunos baixarem a sua nota. Dou até o exemplo de um colega meu que acabou com 18 no 10º ano a Filosofia e o 11º ano com 15. Um bom exemplo de que uma nota não reflecte a inteligência de um aluno e o que nos interessa é criar pessoas inteligentes (e inteligentes no sentido de percepcionarem o que à sua volta se passa e serem capazes de associar, de forma a optimizarem conhecimentos) e não somente inteligentes para realizarem determinado trabalho dali a uma data de anos.
Eu até concordava com exames no 4º ano, o problema é realmente serem feitos fora do ambiente normal e terem um peso semelhante a exames de secundário. Ao juntar a isso, temos os polémicos critérios de avaliação, que facilmente retiram ou oferecem valores, estando à mercê da subjectividade do corretor.
O mundo real é demasiado complexo e só os ignorantes se sentem confortáveis a viver nele. É um mundo centrado no capitalismo, na carreira profissional e não tanto no indivíduo, na pessoa. É uma sociedade que elimina a pessoa individual para a tornar numa pessoa colectiva, num número de contribuinte, num Estado. A vida resume-se agora a estudar, trabalhar e consumir - que miséria de vida! Eu não me conformo com isso e faz-me confusão que à nossa volta ninguém se pareça importar, que ninguém se preocupe com o facto de ser escravo de um sistema feito para favorecer uma minoria. Ninguém se preocupa, porque ninguém percebe. E ninguém percebe, porque ninguém tem espirito crítico e vontade de o ter. E ninguém tem vontade de o ter, porque o próprio sistema de ensino oprime aqueles que querem aprender, para favorecer aqueles que têm dinheiro, recursos e, às vezes, melhor memória do que realmente capacidade de raciocínio. Basta olhares para os hábitos favoritos dos portugueses: futebol, casa dos segredos, facebook... Nada que exija racionício, nada de instrutivo. Basta também olhares para a nossa situação política... Os nossos p0líticos vêm de cá, foram criados cá, são o reflexo daquilo que somos. Não gostamos deles, porque no fundo, não gostamos de admitir que somos como eles. No fundo, somos uns ignorantes políticos e só o somos, porque não somos uma população informada e conhecedora. E como não o somos, também não somos capazes de educar correctamente os nossos estudantes para o serem.
Este sistema de exames, de "turminhas de elite", de "só aqueles, cujos recursos financeiros podem" é um sistema semelhante ao do Estado Novo. Não deveriamos estar a "progredir" desta forma e só o estamos, porque temos memória curta... Porque será que tanta gente odeia História, quando é super importante? Porque é só decorar!
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De AnaRosa a 08.05.2013 às 20:40

Sim, piadas parvas são a minha especialidade xD (principalmente porque são o único tipo de piadas que consigo fazer)

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